Transição de carreira em Tech: Como facilitar? — Parte II

Transição de carreira em Tech: Como facilitar? — Parte II

Dicas para facilitar a sua transição de carreira ~ Por Fayra Miranda

Parte 2

Na parte 1, falamos dos primeiros quatros pilares que foram essenciais para a minha transição de profissão de arquiteta urbanista para programadora.

Como mencionado no último texto, em 2019 iniciei um processo de transição de profissão de arquiteta urbanista a desenvolvedora web full-stack. Ao longo desse processo (extremamente desafiador), passei por diversas experiências e conheci muitas pessoas que também estavam fazendo esse movimento.

Com base nos desafios passados (tanto por mim, como por essas outras pessoas), resolvemos (eu e Dupla) não somente desmistificar o processo de transição como organizar um total de sete pilares com dicas práticas para facilitar a sua trajetória.

Dito isso, vamos para os três últimos deles que eu queria ter escutado/lido na época da minha transição.

5. Crie uma rede de apoio

Quando decidi migrar, ouvi de diversos amigos e pessoas próximas algumas afirmações: Mas e a arquitetura? Nossa, você é louca! Por que fazer isso? Mas o isso tem a ver com arquitetura? Essa vai ser sua profissão agora?

Além desses questionamentos, pessoas próximas da minha família vinham/vêm com um olhar de pena e reprovação, como se eu tivesse fracassado na vida por “não trabalhar na área em que me formei”. Durante muito tempo me senti assim, como se tivesse falhado e gastado muito tempo em um projeto que não deu certo. Os olhares de reprovação, esses questionamentos me machucavam muito. Porém, a minha insatisfação como profissional era mais dolorida do que todas as opiniões externas.

Para diminuir essas dores, utilizei as perguntas do primeiro pilar para ressignificar a minha trajetória e fui buscar outras mulheres que haviam passado ou ainda estavam passando por essa experiência. Durante a procura, encontrei o grupo do Elas Programam no Facebook (fundado pela Silvia Coelho) e nele histórias e mulheres incríveis. Estar nesse ambiente (mesmo que virtual), me dava forças para continuar a caminhada.

Dentre várias mulheres excepcionais do grupo, uma delas após eu mandar mensagem no privado pedindo dicas tornou-se a minha mentora. Ela, a Amanda, havia passado pelo processo de transição aos 37 anos. Tanto ela quanto meu amigo Rogério me ensinavam temas essenciais de programação e trabalho. Sem o apoio desses dois, talvez eu não estivesse aqui relatando para vocês essas dicas.

Ou seja, nem sempre você terá o apoio do seu ciclo de convivência mais próximo. Muitas vezes eles não entenderão suas angústias, seus valores, seus propósitos e motivações. Tudo bem, vá buscar pessoas que já passaram por isso ou ainda estão passando. Use suas redes sociais para criar laços e sua rede de apoio.

6. Monte seu portfólio e seja notada

Agora que você já: sabe o por quê, tem noção dos seus diferenciais, montou seu cronograma de estudos, se conectou com profissionais do mercado, criou sua rede e está estudando muito, chegou o momento de montar o seu portfólio e ser notada.

Em um mercado com grande número de profissionais em níveis iniciais, você precisará se destacar de alguma forma para conseguir a sua primeira oportunidade. Em diversos eventos em que eu estive, as pessoas recrutadoras sempre falavam: “Não adianta só ter um Github, você precisa ser visto”.

Algumas alternativas para portfólio, além do Github são:

  • Textos e produção de conteúdo → Se você é uma pessoa que gosta de se comunicar e escrever, essa pode ser uma excelente opção. Você pode narrar a sua trajetória, descrever sobre os seus projetos, dar dicas de assuntos que você estudou/estuda e auxiliar outras pessoas, etc… Tudo isso pode ser feito utilizando recursos simples como: Medium, Instagram e Wix.
  • LinkedIn → Esse merece um texto à parte (quem sabe no futuro produzimos, se vocês quiserem um texto sobre, mandem nas redes sociais da Dupla ou no meu LinkedIn, ou nos comentários do texto). Muitos tech recruiters estão nessa rede em busca de profissionais e divulgando suas vagas. Portanto, se você deseja ter um emprego e aumentar suas possibilidades, você deve não somente estar aí como ser ativo. Para isso, você pode compartilhar seus certificados, projetos (falando o que você aprendeu), textos e artigos, compartilhar eventos e etc…
  • Site Portfólio → Se você é uma pessoa desenvolvedora web, essa pode ser uma excelente opção. Criar um site com seus melhores projetos, falando com quais tecnologias você mexe e contando um pouco sobre você é uma excelente alternativa;
  • Behance → Essa ferramenta online da Adobe possibilita não somente que você crie um portfólio como também interaja com outros profissionais. O Behance é uma boa alternativa se você está diretamente envolvido em UX, UI e Web.

7. Aplique para vagas, mesmo com medo

Para mim, essa foi uma das etapas mais desafiadoras, pois tive que não somente aprender sobre mim como também sobre o mercado, além de passar pelos 7 pilares mencionados anteriormente e estar vulnerável (algo que geralmente nós seres humanos temos extrema resistência). Portanto, darei agora dicas gerais para, quem sabe mais a frente, fazer um texto específico sobre o tema.

Dicas em relação a processos seletivos:

  • Determine qual dia você deseja estar empregada e a partir disso crie um plano de ação para as suas aplicações. Por exemplo: Eu queria estar empregada até dia 29/07 do ano, bati minha meta 45 dias antes. Para bater essa meta foram: mais de 50 aplicações em vagas em menos de duas semanas, mais de 5 entrevistas, muitoooooo networking, mais de 3 cases e tantas outras coisas mais;
  • Não espere o momento perfeito, ou ser boa o suficiente. Esse momento demorará para chegar e enquanto isso você perderá oportunidades! Eu tinha muito medo, não me achava boa suficiente. Porém meu dinheiro estava acabando, e isso foi o fator para eu perder o medo e me candidatar de forma mais intensa. Olhava para a vaga e não esperava saber 100% do que pediam, se tivesse tecnologias que eu sabia, já estava me aplicando, mandando mensagem para a pessoa recrutadora. Ou seja, apertar o botão de aplicar não dói e nem custa nada, portanto não tenha medo;
  • Empresas de verdade, comprometidas com o impacto social e com seus colaboradores, não vão ligar para gênero, formação acadêmica, idade, se você tem filho ou não. Eles vão se preocupar se você sabe fazer e se entrega o que foi solicitado.

Por que eu estou falando isso? Pois durante a trajetória eu tinha muito esse medo, percebi também que era um medo recorrente em tanta outras mulheres. O que percebi é que, muitas vezes, nós impomos o nosso próprio limite. Sim, tem muitas empresas que ainda estão lá no século 18, super obsoletas e que não se preocupam com a essência dos seus colaboradores. Mas precisamos entender que o processo seletivo é uma via de mão dupla; se a organização para a qual você está se aplicando de alguma forma te desrespeitou, cabe questionar se realmente aquele local faz sentindo tanto para a sua trajetória profissional como também para sua saúde mental.

  • Use e abuse de plataformas de hunting! No mercado há diversas plataformas que fazem essa ligação entre profissional e mercado. Porém poucas delas são focadas em mulheres e diversidade. Nós da Dupla temos essa missão de conectar de forma gratuita mulheres em tech com oportunidades nesse setor. Se você ficou interessada, cadastre-se na plataforma para formarmos mais duplas!

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