De frente com RH e agora? — Parte I

De frente com RH e agora? — Parte I

Dicas para se dar bem em entrevistas comportamentais ~ Por Fayra Miranda

Nervos à flor da pele, altos índices de vulnerabilidade, não saber como falar do seu processo de transição de profissão, incerteza em relação às suas respostas. Essas e tantas outras sensações permeiam o processo de entrevista comportamental, etapa necessária e que causa muito medo em diversas pessoas candidatas às vagas. Sendo esse um desafio recorrente entre as mulheres da comunidade Dupla, resolvemos escrever esse texto.

Ao longo da minha trajetória, pude participar de diversas entrevistas comportamentais em mais variados setores (1º, 2º, 2.5 e 3º) e cargos (de bolsa de estudos até cargo de pessoa desenvolvedora Jr). Para esse artigo, compilei algumas dicas (do ponto de vista como candidata ) para tentar te auxiliar a enfrentar essa etapa.

Esse texto está dividido em duas partes: a primeira mais específica e a segunda mais generalista. Dito isso, vamos para as dicas.

1. Entenda o por quê de você estar se candidatando

Conte um pouco mais da sua trajetória e da sua história até aqui? Por que você quer entrar para a nossa empresa? Como esse cargo faz sentido para sua trajetória profissional? Como você se vê daqui x anos?

Essas foram algumas das perguntas recorrentes pelas quais eu passei durante os meus processos seletivos. Com elas, surgiram dois questionamentos:

Como contar a minha história de forma concisa, relevante e demostrando: as minhas qualidades, trabalhos já executados, competências, diferenciais, paixão pelo o que eu faço e ainda convencer a me contratarem? E como fazer tudo isso em um espaço de tempo que pode variar de 15 minutos a 1 hora (tempo médio de algumas entrevistas)?

Em resposta a todos esses questionamentos, eu fiz o que geralmente faço quando estou com dúvidas, aflições e sem respostas… Me organizo! Peguei um papel e segui os seguintes passos:

a-) Escreva um texto curto sobre sua trajetória

Essa foi a primeira etapa, recapitulei os fatos que me orgulhavam. Escrevi um texto de forma cronológica, com todos os acontecimentos (sejam eles: bolsas obtidas, trabalhos premiados, eventos e projetos criados, resultados numéricos de trabalhos anteriores, voluntariados feitos, entre outros…).

Ao fazer esse processo, percebi padrões existentes nos atos realizados. Além disso, haviam alguns eventos “catalisadores” de transformações e amadurecimento na minha trajetória.

Por exemplo, o meu TCC. Foi por causa dele que me apaixonei pela diversidade de possibilidades que a tecnologia me dá. Com isso decidi realmente migrar de profissão.

b-) Monte uma linha do tempo

Com esses pontos de destaque, desenhei uma linha do tempo para resumir todas as informações que eram muito importantes da minha caminhada.

Fazer isso me possibilitou entender de forma visual tanto a minha trajetória como também entender: O contexto de cada fato, o que eu fiz para solucionar problemas e quais foram os resultados obtidos em relação aos meus desafios iniciais.

Ao pedir dicas de entrevistas a uma desenvolvedora pleno, ela me falou da metodologia CAR. E descobri que, sem querer, ao fazer a linha do tempo, apliquei parcialmente essa técnica.

Recomendo fortemente a leitura deste texto, caso você queira aplicar essa a técnica em suas futuras entrevistas.

c-) Entenda os seus diferenciais

Após essa estrutura visual e clara dos fatos, descobri algumas características que poderiam ser utilizadas como diferenciais em futuros processos seletivos.

Conhecer esses elementos (ou uma parcela deles), pode te auxiliar e muito nos processos seletivos. Como por exemplo, responder a algumas perguntas do tipo: Quais são seus principais diferenciais? Qual é o seu estilo de trabalho? O que é importante para você no seu trabalho?

Percebi a minha paixão por: Criar, construir, aprender e estar em um ecossistema multidisciplinar. Logo, eu e empresas com esse tipo de ecossistema teríamos maior compatibilidade. Consecutivamente, na etapa de análise do fit cultural do candidato, provavelmente seria mais fácil para me destacar.

Além disso, notei a minha necessidade de ver os resultados do meu trabalho aplicado na prática. Portanto, não fazia sentido eu estar em uma organização onde não fosse possível enxergar esse real impacto gerado por mim.

Sabendo desses pontos, você passa não somente a ter maior clareza do motivo de estar naquele determinado processo seletivo, como também fica mais fácil lidar com as perguntas difíceis da pessoa entrevistadora.

2. Estruture o Linkedin e Github para contar a sua história

Quem não é visto não é lembrado!

É sobre essa frase que indiretamente falaremos neste tópico. Geralmente, temos muitas dificuldades de falar sobre as nossas conquistas, nossa história, de fatos que nos orgulhamos de termos realizado. Isso porque, na nossa cultura, a autopromoção é vista como algo presunçoso.

Okay, mas como me destacarei na busca de um recrutador se eu não mostro o que eu faço? Como uma pessoa recrutadora lembrará da minha pessoa se em nenhum momento eu me mostrei?

Durante muito tempo, tive pânico de contar as minhas conquistas. Porém, percebi a recorrência desse comportamento não apenas em mim, como também entre outras mulheres. Apenas desconstruí esse medo após o workshop *I’m Remarkable* da Google, ministrado para o grupo de mulheres no bootcamp em que eu fazia.

Uma das coisas aprendidas no I’m Remarkable foi: Se há fatos que eu fiz e/ou obtive determinadas conquistas, não é ruim ou soberba falar sobre eles.

Agora, sabendo que não há problema nenhum em contar sobre as suas conquistas, segue a lista de algumas perguntas para te auxiliar a ter maior coerência no seu posicionamento nas redes sociais (Linkedin por exemplo) e no seu portfólio e permitir maior destaque do seu perfil, não somente nas buscas dos recrutadores, como também na sua entrevista.

  • Qual é o seu foco?

Essa é uma pergunta fundamental, pois só após a sua resposta será possível estruturar as suas postagens e projetos. Por exemplo, se você quer trabalhar com desenvolvimento web, não faz muito sentido você postar projetos na área de dados.

  • Quais stacks a empresa utiliza?

Entendendo quais tecnologias você sabe, e quais são utilizadas pelas empresas, você pode (e deve) fazer projetos nessas tecnologias e compartilhá-los. Se a empresa usa React.JS, é interessante você ter uma experiência prévia nisso.

Ao compartilhar os seus projetos, lembre-se de ter uma comunicação acessível, pois nem todas as pessoas de RH vão saber do que você está falando. Para isso, tenha não somente o projeto como também um bom README com a explicação daquele trabalho.

  • Quais são as experiências relevantes para os cargos aplicados?

Durante a maioria das entrevistas que passei, seja ela comportamental como técnica a pessoa entrevistadora já havia visto, ou estava vendo meu Linkedin durante a etapa. Com isso, faziam perguntas sobre as experiências contidas nele.

Cada experiência no Linkedin, tinha um motivo de estar lá. Não fazia sentido eu destacar os meus trabalhos em arquitetura se eu queria uma vaga em tecnologia.

Ou seja, conhecer cada um dos fatos escritos no meu perfil e adaptar o foco para a minha necessidade me permitiu uma maior facilidade nos processos de entrevistas.

3. Anote seus pontos fracos e fortes

Quais são suas fortalezas/pontos fortes? Quais são suas fraquezas/inabilidades?

Esses são alguns dos questionamentos recorrentes em entrevistas comportamentais. Geralmente, falar sobre nossos pontos fortes é extremamente mais fácil do que falar das nossas inabilidades, pois para essas últimas, precisamos estar muito vulneráveis.

Após escrever o texto sobre a minha trajetória, montar minha linha do tempo e entender os meus diferenciais, notei alguns pontos fortes e outros nem tanto. Por exemplo minhas principais habilidades que me destacam são: meu perfil de liderança, organização, facilidade de solucionar problemas e comunicação. Por outro lado, minha principal inabilidade é autocobrança.

Eu sei que essa autocobrança, me permitiu chegar e alcançar lugares e oportunidades incríveis. Porém, diariamente me policio para: entender que não existe uma perfeição (entregar dando o seu melhor é mais importante do que não entregar e amenizar essa característica). Na maioria das vezes, falo isso para quem está me entrevistando.

Portanto, ao mencionar suas inabilidades, sempre fale como você está trabalhando para transformá-la em um ponto forte!

4. Treine falar sobre

Após todas as etapas anteriores, é hora de por em prática tudo que foi descoberto!

Nesse treino, seu foco não será apenas falar, como também ouvir. Com isso, você saberá: onde você pode melhorar o seu discurso, qual parte faz ou não sentido e como melhorá-lo.

Você pode treinar de algumas formas:

  • Falando com uma pessoa próxima

Aqui você simulará uma entrevista de emprego com uma pessoa conhecida sua e ela deverá te dar um feedback no final.

  • Mandando áudio para você mesmo em aplicativos de mensagem

Para isso, você poderá criar um grupo com você mesmo e mandar áudios curtos. O intuito disso é: você ouvir como você fala e peneirar o que é essencial.

  • Gravando vídeo

Utilize o seu celular ou computador para gravar suas possíveis respostas de entrevistas. Esta é a opção que eu prefiro, pois posso analisar não somente as minhas falas como expressões.

5. Crie uma “colinha” para não esquecer nada

Geralmente, em entrevistas ficamos muito nervosos e esquecemos de falar pontos essenciais. Para diminuir esse problema e após fazer as etapas anteriores, você pode criar um arquivo no bloco de texto e usá-lo durante a entrevista. Neste documento, você deverá colocar as palavras chaves, por exemplo: Ações baseadas na técnica CAR, tecnologias em que você tem experiência, seus pontos fortes e fracos, seus diferenciais etc…

6. Pesquise a empresa de forma profunda

Após entender muito bem a sua trajetória e suas motivações, as próximas etapas estão relacionadas ao entendimento da empresa para a qual você está se candidatando.

Pesquise sobre a organização, não de forma rasa (nada de só aquela olhadinha no site da instituição), mas sim buscando entender alguns pontos:

  • Qual é o setor, tipo de negócio e suas concorrentes ?

Por exemplo, é uma consultoria ou software house? A empresa desenvolve soluções tecnológicas para empresas ou consumidores? Quais são as concorrentes diretas?

  • Qual é o estilo de trabalho da empresa?

É uma empresa mais burocrática, ou tem um estilo de trabalho mais flexível? Para saber isso, você pode pesquisar: no Glassdoor, na própria página da empresa no LinkedIn e Instagram ou contatando pessoas que trabalham naquela empresa.

  • Para qual vaga?

Entender os critérios da vaga e modelar tanto o seu discurso, como o seu currículo para cada uma delas é essencial.

Por exemplo, você têm experiência em front-end e back-end, porém a empresa quer um profissional de front-end. Não faz sentido você falar só sobre as suas experiências em back; a melhor alternativa seria destacar as suas experiências de trabalhos envolvendo o front.

(continua)

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